
O caos interior toma vida e celebra sua liberdade durante uma reunião
de negócios aparentemente insípida. Este é o assunto da peça
“Sgroft e Herética ou Ninguém”, que fica em cartaz no Espaço Carabina
(Rua Mucuri, 24, Floresta), em Belo Horizonte, até 29 de novembro,
sempre de sexta a domingo às 20h. Os ingressos custam R$ 14,00
inteira e R$ 7,00 meia-entrada. A lotação é de 50 lugares,
por isso é imprescindível reservar lugar.
Sgroft e Herética somos eu, você, todos à nossa volta ou, talvez, ninguém.
“Ninguém” sendo a distância do que não se sabe e do que não se admite
não saber. Uma máquina defeituosa que nós recusamos diariamente
a consertar, peças de um equipamento que nem sequer admitimos
a necessidade de ajustar.
Um homem e uma mulher se encontram para efetivar um negócio
e mergulham, através do trivial, do aparentemente filosófico
e da metalinguagem, no mundo da superficialidade das relações humanas,
do distanciamento entre as pessoas e do vazio resultante disso.
Fruto de uma sociedade que busca uma maturidade social,
o ser humano moderno e inteligente cria para si preceitos
que supostamente deveriam aproximá-lo mais de um conceito
mais preciso de si mesmo, mas que o afasta cada dia mais de sua essência
animal, frágil e vulnerável às adversidades da vida.
Oscilando entre os limites do ridículo, do primordial e do intelectual,
a peça espelha uma sociedade explicitamente neurotizada, confusa
e vulnerável, que busca se fortalecer criando para si normas que,
na verdade, acabam gerando um distanciamento cada vez maior
entre as pessoas - um abismo entre elas e o mais íntimo que existe
delas mesmas.
O medo do ridículo, a necessidade de auto-afirmação e a competitividade
em uma sociedade que transforma pessoas em índices estatísticos
de mercado, acabam criando figuras que são quase uma aberração,
caricaturas de si mesmas.
Sgroft e Herética se jogam em um universo onde o seu bicho interno,
explícito e vivo, duela a todo o momento com a projeção externa
que eles criaram para si próprios. E geram, com isso, um sentimento
que oscila entre o riso e o grito, de forma a, subliminarmente,
lembrar que o bicho interior que grita e incomoda não é necessariamente
uma falha de caráter. Pode ser nossa sensibilidade esquecida
que está pedindo licença para sair e respirar.
Mais informações: (31) 3224-5973 / 9611-8484





